Grupos políticos da França, Espanha e Argentina começaram a implementar táticas de mobilização digital inspiradas na iniciativa “Exército do Lula”, criada pelo deputado federal André Janones, membro da Rede (MG) e presente no WhatsApp. O grupo brasileiro, que conta com mais de 10 milhões de membros, se tornou um modelo para os apoiadores de lideranças de esquerda em diversas nações.
A estratégia desses grupos envolve o compartilhamento de orientações para aumentar o alcance das postagens nas redes sociais, atrair novos membros e propagar mensagens de apoio a candidatos e figuras políticas. Durante o segundo turno das eleições presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas se concentraram na mobilização em apenas três dias.
Na França, os simpatizantes do partido França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, inicialmente formaram o grupo “Les Soldats Insoumis”, que significa “Soldados Insubmissos”. A repercussão da experiência brasileira levou à criação do canal “L’équipe de Mélenchon officielle”, ou “A equipe oficial de Mélenchon”. Os membros são incentivados a executar tarefas para promover conteúdos, convidar novos integrantes e expandir a presença na internet, incluindo sugestões de adicionar novos participantes e bloquear perfis de opositores para diminuir seu alcance.
Algumas das comunicações no canal francês são bilíngues, em francês e português, e referenciam a abordagem usada por Janones. Essa mobilização acontece em um cenário de preparação para as eleições presidenciais de 2027 na França, marcadas por tensões políticas e protestos, além do desempenho crescente de Marine Le Pen, uma figura de destaque na extrema-direita do país.
No contexto da Espanha, apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), formaram o grupo “La fuerza de la gente”, que se traduz como “A força das pessoas”. Os participantes compartilham vídeos e imagens contendo discursos do primeiro-ministro para aumentar a distribuição dessas mensagens nas plataformas sociais, com referência a Lula como modelo político. O grupo também distribui informações sobre as “seis regras da estratégia digital de Janones”, que estão previstas para serem aplicadas nas eleições gerais marcadas para 29 de novembro de 2026.
Na Argentina, a ala jovem e mais progressista do peronismo, que se opõe ao governo do presidente Javier Milei, criou o coletivo “Ejército del Peronismo”, significando “Exército do Peronismo”. Este canal promove vídeos, imagens e diretrizes sobre a mobilização empregada por Lula no Brasil, realçando as conquistas eleitorais do líder petista. Assim como nos outros países, a dinâmica envolve atividades para ampliar o grupo e atrair novos participantes.
A mobilização na Argentina ocorre em um clima tenso, onde se intensifica a disputa política contra o governo de Milei e setores ligados ao kirchnerismo, associados aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, com eleições presidenciais previstas para o final de 2027.
André Janones, o criador do “Exército do Lula”, foi convidado a colaborar com a campanha de Pedro Sánchez nas próximas eleições espanholas, mas até o momento não houve confirmação oficial da aceitação desse convite. Depois do resultado das eleições brasileiras, Sánchez expressou otimismo, afirmando que “o que aconteceu no Brasil ocorrerá também na Espanha”. Mensagens e vídeos que reforçam essa conexão começaram a circular amplamente nas redes sociais.
A atuação de Janones ganhou destaque nacional durante a campanha presidencial de 2026, quando o deputado utilizou redes sociais e grupos de mensagens para mobilizar os apoiadores de Lula. Ele dirigiu transmissões ao vivo, incluindo uma que durou 24 horas após o último debate entre os candidatos, com Lula participando por telefone no dia da votação. Assim, a estratégia digital criada no Brasil serviu de exemplo significativo para grupos políticos internacionais em busca de engajamento e disseminação eficaz de mensagens durante os processos eleitorais.



