domingo, setembro 27, 2026
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Arquitetos levantam preocupações sobre alterações no projeto durante a obra no Centro de Vitória

O Instituto de Arquitetos do Brasil no Espírito Santo (IAB-ES) levantou questionamentos sobre as obras de requalificação nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, localizadas no Centro de Vitória. De acordo com o IAB-ES, o projeto divulgado à população não está sendo executado conforme o planejado. Entre as principais modificações identificadas estão a permanência da fiação aérea, mudanças na drenagem, instalação de grelhas que não faziam parte do projeto original e alterações na iluminação.

A presidente do IAB-ES, Nayara Gava Monteiro, destaca que intervenções em áreas com valor histórico demandam um planejamento apurado e colaborações institucionais antes do início das obras. As intervenções, que totalizam um investimento de R$ 10 milhões, tiveram início na primeira semana de março de 2026 como parte das ações de revitalização no Centro de Vitória.

Nayara relata que o instituto esteve presente na apresentação do projeto feito pela Prefeitura de Vitória e que, desde então, acompanhou a execução das obras. Contudo, ela ressalta que não teve acesso ao projeto executivo, que contém especificações técnicas essenciais para a implementação adequada da obra. O material disponibilizado à comunidade consistia principalmente em representações tridimensionais, fazendo com que divergências entre o que foi proposto e o que está sendo construído se tornassem evidentes.

Entre os problemas identificados, a manutenção da fiação aérea se destaca, sendo que o projeto indicava o enterramento das redes. Nayara e o IAB-ES tentaram identificar qual órgão ou empresa seria responsável por essa parte da obra, mas enfrentaram respostas ambíguas entre a Prefeitura e empresas de energia e telecomunicações, resultando na ausência da execução esperada. Ela sugere que ainda há possibilidade de preparar a infraestrutura para o aterramento, criando dutos e caixas de passagem sob o piso, evitando assim, novas escavações.

Além disso, o IAB-ES critica a instalação de uma nova drenagem que não estava prevista no material apresentado. A nova estrutura, que atravessa a rua, não estava alinhada ao que foi inicialmente apresentado à sociedade.

Outro ponto de preocupação são as grelhas de escoamento, que foram instaladas em tipos diferentes e algumas já apresentam sinais de degradação. Nayara menciona que algumas dessas peças enfrentaram problemas antes mesmo da finalização das obras e defende a realização de correções antes da entrega final da intervenção.

A escolha do piso também é um ponto debatido, uma vez que o uso de placas de granito pode tornar a superfície escorregadia em dias chuvosos, o que é uma elevada preocupação em áreas de grande movimentação. Nayara acrescenta que a opção pelo revestimento não levou em consideração o contexto histórico da região, defendendo que tanto a acessibilidade quanto a preservação do patrimônio urbano histórico poderiam ser conciliadas através de soluções específicas.

De acordo com Nayara, durante a obra, postes de iluminação apresentados no projeto original não serão instalados, e as grelhas de drenagem também foram modificadas. A entidade ressaltou a importância da transparência em mudanças significativas, já que a apresentação do projeto fomenta expectativas na comunidade.

O IAB-ES questiona ainda a articulação da obra com órgãos que cuidam da preservação do patrimônio histórico, afirmando que não houve comunicação prévia com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) antes do início das intervenções. A presidente afirma que essa consulta deveria ter ocorrido na fase de planejamento do projeto.

Após a intervenção do Iphan, houve uma paralisação das atividades por duas a três semanas, após a qual a Prefeitura contratou um responsável técnico para supervisionar as obras. Nayara assevera que não houve alterações no projeto original após essa intervenção, sendo o acompanhamento voltado para a identificação de eventuais descobertas significativas durante as escavações.

Durante reuniões com a Prefeitura e com vereadores, o IAB-ES já havia levantado preocupações sobre a falta de estruturas para a gestão de resíduos, como lixeiras enterradas, enfatizando que requalificações urbanas devem resolver problemas existentes.

O IAB-ES manifestou a intenção de continuar monitorando a execução das obras, afirmando que a discussão não é sobre a necessidade de requalificação do Centro de Vitória, mas sim sobre como esse processo deve ser planejado, executado e mantido. A entidade defende que a acessibilidade e a segurança são condições fundamentais, e que essas necessidades podem ser atendidas com qualidade técnica e respeito ao contexto urbano. A reportagem procurou informações sobre a atuação do Iphan no projeto e sobre eventuais recomendações e análises realizadas na obra.

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