O vereador Baiano do Salão, do Podemos, teve seu pedido de cassação aprovado por unanimidade na Câmara de Vitória durante uma sessão especial realizada na terça-feira, 20 de setembro. A votação, que durou aproximadamente seis horas, ocorreu após a divulgação de sua condenação em primeira instância a mais de 30 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável. O político havia solicitado licença médica em julho.
Os vereadores decidiram realizar duas votações separadas, uma sobre a acusação de conduta sexual imprópria contra uma criança e outra sobre alegações de violência persistente contra o menor. Apenas três pessoas, incluindo o presidente da Câmara, Anderson Goggi, que também foi o denunciante, e o presidente da sessão, Leonardo Monjardim, assim como Baiano, se abstiveram de votar.
O relatório que fundamentou a cassação foi produzido por Armandinho Fontoura. No documento, foi destacado que, embora os vereadores não tivessem acesso à totalidade do processo devido ao seu caráter reservado, a Câmara pôde contar com a decisão condenatória, considerada suficiente para a deliberação política. A Comissão Processante que tratou do caso também contou com os vereadores João Flávio, que presidiu, e Ana Paula Rocha.
Durante a sessão, cada vereador teve um tempo de 15 minutos para se manifestar. Além do consenso em torno da cassação, o debate também refletiu embates ideológicos, com integrantes da direita defendendo propostas como a castração química de estupradores, enquanto a oposição de esquerda criticou a gestão municipal em relação à proteção infantil.
Goggi mencionou que as suspeitas sobre Baiano surgiram em 2020, quando ele era pré-candidato a vereador pelo PTB, partido que Goggi liderava no município, embora tenha enfatizado que, na ocasião, não havia condenação nem informações concretas sobre o caso.
Com a cassação, o próximo a assumir a vaga será Sebastião Luiz, primeiro suplente do Podemos. Sebastião é uma figura reconhecida da comunidade do bairro Jaburu, onde possui experiência política e já se candidatou a vereador em 2016, 2020 e 2024, mantendo proximidade com Baiano até recentemente.
A defesa de Baiano apresentou seus argumentos durante cerca de uma hora na sessão, destacando que a falta da íntegra do processo tornaria a cassação injusta. A advogada do vereador alertou que a condenação é provisória e mencionou um abaixo-assinado com 800 apoiadores que pleiteavam a manutenção do mandato.
Baiano do Salão, presente na sessão, também fez seu pronunciamento após meses de silêncio, afirmando que a acusação era fruto de uma “vingança” de uma ex-companheira e argumentou que não havia evidências concretas contra ele. Ele comparou sua situação a casos de figuras públicas que, segundo ele, enfrentaram acusações infundadas. Em um momento, afirmou que seus problemas estavam relacionados a sua ex-companheira e criticou Fontoura por supostamente buscar capitalizar politicamente com a situação.
Nascido Orlandino Rodrigues de Souza, Baiano do Salão foi eleito para seu primeiro mandato em 2024 com 2.100 votos. Ele já havia concorrido como vereador em 2016 e 2020, sendo suplente nas duas eleições. Em 2022, ele ocupou temporariamente uma cadeira na Câmara devido à licença de um titular, substituindo precisamente Anderson Goggi, que se tornou seu denunciante.
Durante sua passagem pelo parlamento, Baiano apoiou a gestão do ex-prefeito Lorenzo Pazolini e da atual prefeita Cris Samorini, apesar de ter manifestado insatisfação com decisões na eleição da Mesa Diretora. Ele se posiciona como um homem de fé, diferenciando sua atuação nas questões políticas, que são mais voltadas a pautas comunitárias. Natural de Itamaraju, na Bahia, Baiano se estabeleceu no Bairro da Penha, uma área periférica de Vitória, onde se tornou cabeleireiro e, posteriormente, servidor público estadual, presidindo a Associação de Moradores local por seis mandatos consecutivos.



