sábado, agosto 29, 2026
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Conselho delibera pela cassação do registro de dentista investigada por lesões em pacientes

O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) decidiu cassar o registro profissional da dentista Mariana Laranja Roeder em um processo ético. Mariana e seu sobrinho, Nathan Laranja Roeder Holz, enfrentam indiciamento pela Polícia Civil após relatos de que procedimentos estéticos realizados em uma clínica na Praia da Costa, em Vila Velha, resultaram em lesões e cicatrizes em pacientes.

Embora a cassação tenha sido aprovada, essa decisão ainda não impede Mariana de exercer sua profissão, uma vez que sua defesa apresentou um recurso ao Conselho Federal de Odontologia (CFO), que possui efeito suspensivo. O CRO-ES confirmou que uma das questões éticas envolvendo a profissional foi analisada pela sua Comissão de Ética.

O Conselho não divulgou os detalhes da decisão, uma vez que os processos éticos na área odontológica são mantidos em sigilo. A defesa de Mariana argumenta que, apesar da penalidade de 30 dias de suspensão ter sido aplicada, esta não está em vigor devido ao recurso. Segundo os advogados, à luz da Lei nº 4.324/1964, tal recurso deve suspender a execução das penalidades até a sua análise final.

Ainda conforme a defesa, Mariana não estava presente durante a execução do procedimento que levou ao processo e estava em viagem profissional para um curso no exterior. Eles alegam que a conduta que motivou a sanção foi erroneamente atribuída a ela e questionam a falta de uma perícia técnica sobre o equipamento usado e a verdadeira causa da complicação que está sendo investigada.

O CRO-ES esclareceu que suas deliberações só se tornarão definitivas após o esgotamento de todos os recursos possíveis. O órgão também informou que as partes envolvidas têm um prazo de 30 dias para recorrer, e a outra parte terá 15 dias adicionais para apresentar contrarrazões.

Quanto a Nathan, a defesa revelou que o processo foi movido apenas contra a clínica e Mariana, indicando que não se manifestará sobre ele neste momento, pois não está relacionado aos fatos que estão sendo investigados. Outros detalhes sobre os procedimentos ainda estão sob investigação e sob sigilo.

Mariana e Nathan foram indiciados pela Polícia Civil devido a alegações de lesões corporais culposas em três pacientes que estavam sob os cuidados da clínica em Vila Velha. As investigações sobre os incidentes ocorreram em dezembro de 2025, com o inquérito concluído em 2 de abril.

Na ocasião, foi informado que Mariana enfrentava 15 processos ético-disciplinares, incluindo aqueles já finalizados e outros ainda em andamento. O CRO-ES também destacou que a dentista não possuía a devida habilitação para realizar certos procedimentos estéticos orofaciais, como lip lifting, corner lifting, reconstruções labiais e queiloplastia.

A defesa da dentista afirmou que a clínica e o Instituto Laranja seguem operando regularmente e que a Licença Sanitária, emitida pela Prefeitura de Vila Velha, permanece válida até agosto de 2029.

O CRO-ES relatou que foi realizado um trabalho de fiscalização desde que os incidentes foram reportados, e que algumas irregularidades foram corrigidas, enquanto outras foram encaminhadas à Comissão de Ética para avaliação de potenciais infrações às normas profissionais.

A defesa, em comunicado, qualificou a decisão como “juridicamente inadmissível”, enfatizando que não há uma decisão administrativa final neste momento. Mariana expressa sua perplexidade em relação à penalidade aplicada com base em informações factuais incorretas, sustentando que não participou do procedimento que resultou na acusação. Ela estava ausente do local durante sua execução, e sua defesa considera que a decisão foi baseada em erros na atribuição da conduta. Eles destacaram que a situação não é simplesmente uma divergência interpretativa, mas um erro fundamental que compromete a legitimidade do processo.

A defesa conclui que os equívocos na apuração demonstram fraqueza na análise feita pelo CRO-ES e prometem contestar formalmente a decisão junto ao Conselho Federal de Odontologia, lutando pela correção de uma decisão que, no entendimento deles, não reflete a realidade dos fatos. Eles ressaltam que a dentista mantém seu registro ativo e que sua prática odontológica segue regular.

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