sábado, setembro 26, 2026
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Desafios da Medicina na Prevenção da Demência: Saiba Mais

Mais de 2,7 milhões de brasileiros com mais de 60 anos convivem com a demência, de acordo com uma estimativa. A previsão é que esse número ultrapasse 5,5 milhões até 2039, conforme o Consenso Delphi.

Esses dados coincidem com um estudo publicado em julho, que revelou um aumento da prevalência da demência na América Latina, passando de 10,6% entre 2003 e 2006 para 16,9% entre 2016 e 2020. No entanto, a prevenção da doença continua a ser um grande desafio, pois requer mudanças nos hábitos da população e a implementação de políticas públicas voltadas para o diagnóstico precoce.

Especialistas ressaltam que há um conjunto de fatores modificáveis que pode influenciar a probabilidade de desenvolvimento de demência ao longo da vida. Eles destacam que hoje é o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, que é a forma mais comum de demência. Entre esses fatores, o neurologista Victor Saddeh menciona hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, não tratamento da perda auditiva e visual, depressão, isolamento social e baixa estimulação cognitiva.

Os fatores socioeconômicos também colaboram, como a baixa escolaridade e o difícil acesso à prevenção, diagnóstico e controle de doenças crônicas. As circunstâncias na América Latina se agravam, já que muitas pessoas conseguem chegar à terceira idade enfrentando problemas de saúde mal controlados e com pouca atividade física.

A geriatra Fernanda Sperandio, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Espírito Santo, enfatiza que não existe um único fator responsável pelo surgimento das demências e que a prevenção deve ser abordada sob múltiplas perspectivas. Ela destaca a importância de cultivar hábitos saudáveis desde os 30 e 40 anos, como praticar atividades físicas regularmente, não fumar, moderar o consumo de álcool, manter uma alimentação balanceada e ficar atento ao controle de doenças como diabetes e hipertensão.

É alarmante que cerca de 80% dos casos de demência no Brasil ainda não são diagnosticados, conforme revelou o Relatório Nacional sobre a Demência. Fernanda afirma que é crucial que o país reconheça a demência não apenas como uma condição da velhice, mas que a integre de forma mais eficaz nas políticas de saúde ao longo da vida.

Sinais como esquecimentos que dificultam as atividades diárias, dificuldades para gerir finanças ou medicamentos, e alterações significativas na linguagem ou comportamento devem ser avaliados por profissionais da saúde. O diagnóstico precoce não se limita a identificar a doença mais cedo, mas envolve entender a causa do comprometimento cognitivo e oferecer orientações adequadas para o tratamento.

A prevenção também requer políticas públicas que promovam hábitos saudáveis e garantam o acesso a cuidados médicos. O tratamento das demências é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar. A neurocirurgiã Vanessa Milanese, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, observa que medicamentos e reabilitação cognitiva podem ajudar a controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, técnicas de neuromodulação, em especial as não invasivas, podem apresentar resultados em casos de comprometimentos cognitivos leves.

Um resumo sobre demência é que se trata de um termo amplo para um grupo de sintomas causados por distúrbios cerebrais que afetam a memória, o pensamento e o comportamento. A doença de Alzheimer é a forma mais comum, afetando entre 50% e 60% das pessoas com demência, enquanto outras formas incluem demência vascular, de corpos de Lewy e fronto-temporal.

Além disso, cerca de 80% dos casos não são diagnosticados, com mais de 2,7 milhões de pessoas acima dos 60 anos vivendo com a condição, sendo que 1,7 milhão tem Alzheimer. Mulheres representam dois terços dos diagnósticos, e ao atingirem os 65 anos, o risco estimado é de 1 em cada 5 mulheres, em comparação a 1 em cada 10 homens, devido a uma expectativa de vida mais alta e a fatores hormonais.

Por fim, fatores que podem aumentar o risco de demência incluem a baixa escolaridade, perda auditiva, colesterol elevado, depressão, lesões cerebrais traumáticas, sedentarismo, tabagismo, diabetes, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social e poluição do ar. Aproximadamente 50% dos casos poderiam ser prevenidos com controle adequado destes fatores.

Em relação aos custos, o gasto médio mensal por pessoa com demência varia: no estágio inicial, o custo é de R$ 2.082,30; no estágio moderado, chega a R$ 3.255; e no avançado, pode alcançar R$ 3.893,10.

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