A nova análise relacionada à greve dos trabalhadores dos Correios ocorrerá na quinta-feira (24), às 15h30. A paralisação prossegue no Espírito Santo, após o Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspender na última segunda-feira (21) o julgamento do dissídio coletivo que envolve o movimento nacional da categoria. A sessão foi interrompida quando a empresa apresentou documentos que pedem a declaração de abusividade da greve, sem que os sindicatos tivessem tempo adequado para avaliá-los. O tribunal concedeu um prazo de 48 horas para a manifestação das federações.
No Espírito Santo, a greve acontece de forma parcial, com trabalhadores em mobilização em unidades da Grande Vitória e em algumas localidades do interior, enquanto outros permanecem em funcionamento nas agências, conforme Regina Sarmento, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares no Estado (Sintect-ES). Ela destacou que, embora as agências estejam abertas, não operam com o efetivo total.
A greve nacional teve início em 10 de setembro, após fracassarem as negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. Um dos principais pontos de discórdia envolve o plano de saúde dos trabalhadores, aposentados e dependentes. O Sintect-ES ressalta que a alteração proposta pela empresa, que pretende mudar de mantenedora para patrocinadora do plano, gera preocupação nas entidades sindicais, que temem que isso afete a continuidade dos serviços aos beneficiários, principalmente em um cenário financeiro delicado.
Regina enfatizou que a discussão sobre o plano de saúde é a maior preocupação das representações sindicais. O benefício abrange um grande número de trabalhadores e aposentados, influenciando a negociação do acordo coletivo. O TST já havia reconhecido anteriormente no ciclo anterior que os Correios tinham o papel de mantenedora do plano de saúde.
A categoria defende a preservação das garantias atuais. A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) também considera o plano de saúde como um ponto crucial nas negociações, afirmando que a direção da estatal gostaria de mudar sua posição para patrocinadora.
Em resposta, os Correios argumentam que a mudança é uma medida necessária devido à situação financeira da empresa. Durante o pedido de mediação ao TST sobre o ACT 2026/2027, a empresa informou ter como objetivo garantir a sustentabilidade econômica, respeitando os direitos dos empregados.
Além das questões relacionadas ao plano de saúde, a campanha salarial abrange o pedido de reajuste e a manutenção de cláusulas do acordo coletivo. Segundo Regina, a proposta da empresa sugere um reajuste de 60% do INPC, enquanto a reivindicação da Findect pedida era de 100% do INPC, além de um aumento real de 5%.
A estatal apresentou uma versão alternativa da proposta, alegando que o texto mantinha integralmente 56 cláusulas e ajustava 21. Em nota, garantiu que pretende preservar os direitos dos trabalhadores apesar das dificuldades financeiras.
Outra questão levantada é a supressão de direitos durante a tentativa de privatização dos Correios, que aconteceu em 2020, resultando, segundo os sindicatos, na retirada de mais de 50 cláusulas. Regina mencionou ainda que, embora não houvesse cortes diretos nos salários, a remoção de benefícios impactou significativamente a remuneração total dos trabalhadores.
Alguns direitos foram reassumidos posteriormente, e as decisões do TST sobre acordos coletivos refletem o histórico da negociação. Por exemplo, a Corte decidiu manter cláusulas relacionadas ao plano de saúde e ao reajuste no ciclo anterior.
No que se refere ao processo de reestruturação dos Correios, a empresa defende ações para reduzir despesas, mas os sindicatos criticam o fechamento de agências e a transferência de atividades para empresas terceiras. Regina questionou essa estratégia, alegando que o fechamento pode diminuir a capacidade da estatal de gerar receitas e lamentou as opções que visam a redução de direitos trabalhistas.
Os sindicatos já identificaram o fechamento de agências e a diminuição de distritos postais como partes problemáticas na reestruturação. O TST determinou em 12 de setembro que pelo menos 80% do efetivo permaneça ativo durante a greve, devido à essência dos serviços prestados e ao impacto potencial da paralisação.
O julgamento do dissídio começou na segunda-feira, mas não foi concluído. O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que a interrupção se deu pela falta de tempo para análise dos documentos que haviam sido entregues pelos Correios na última sexta-feira. O ministro estabeleceu um novo prazo de 48 horas para que as federações se manifestem e agendou a continuidade da sessão para quinta-feira.
Regina pontuou que a suspensão do julgamento não implica o fim da greve, reafirmando que a orientação do sindicato é para que os trabalhadores continuem a paralisação até a retomada do julgamento. Por sua vez, os Correios comunicaram que implementaram um plano de continuidade das operações, com remanejamento de pessoal e recursos, buscando minimizar os efeitos da greve.



