segunda-feira, setembro 28, 2026
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Deseja ser um doador de órgãos? Descubra o que é necessário e a importância de comunicar à sua família.

Em meio à rotina da maioria das pessoas, aqueles que aguardam um transplante organizam suas vidas em função de consultas e tratamentos, vivendo na expectativa de uma doação que pode não ter data para acontecer. Atualmente, 2.915 cidadãos no Espírito Santo estão à espera de um órgão ou tecido, de acordo com dados da Central Estadual de Transplantes. Deste total, 1.753 aguardam córneas, 1.085 necessitam de rins, 66 de fígados e 11 de corações.

Apesar da necessidade crescente de doações, a decisão de doar ainda enfrenta barreiras, principalmente a autorização familiar. Entre janeiro e agosto deste ano, 59% das famílias consultadas no Estado recusaram a doação, um aumento em relação ao índice de 53,14% do ano anterior. Para garantir a doação, é essencial que quem deseja ser doador informe sua intenção aos familiares, uma ação que pode facilitar a decisão em momentos delicados.

Neste domingo, Dia Nacional de Doação de Órgãos, especialistas foram consultados para esclarecer quem pode se tornar um doador, como manifestar essa intenção e a importância do papel dos familiares nesse processo. Segundo informações, não é necessário realizar um cadastro formal ou documento específico; a comunicação clara com a família sobre o desejo de doar órgãos após a morte é fundamental, já que esta é a responsável por autorizar o procedimento.

Avisar a família é crucial, pois no Brasil a vontade expressa em vida não substitui a autorização familiar. Dados da Central mostram que, entre as razões mais comuns de recusa, estão a oposição de algum membro da família e o desejo de manter o corpo intacto. Conversar em vida sobre a doação pode ajudar a elucidar essa questão, evitando que a família tenha que tomar decisões sem conhecê-la.

A doação de órgãos só pode ocorrer em situações específicas, como a confirmação da morte encefálica, onde há a perda irreversível das funções cerebrais. Antes disso, os esforços da equipe médica são direcionados à tentativa de salvar a vida do paciente. É compreensível que as famílias tenham dúvidas sobre a doação em meio a situações de grande estresse emocional.

Para manifestar o desejo de ser doador, a recomendação das autoridades é conduzir a conversa de forma natural, em momentos de tranquilidade. Os potenciais doadores podem especificar quais órgãos desejam doar e se há algum que prefirem não doar. Importante ressaltar que a saúde do doador será analisada apenas após a morte, e nem todos os órgãos serão necessariamente aproveitados.

Os órgãos que podem ser doados incluem coração, rins, fígado e pulmões, além de tecidos como córneas. Em média, um doador pode beneficiar de oito a nove pacientes, dependendo da condição dos órgãos que podem ser aproveitados. Após a autorização familiar, várias avaliações são realizadas para determinar quais órgãos podem ser utilizados, e a Central de Transplantes organiza todo o processo.

A distribuição dos órgãos segue critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes, considerando a gravidade do caso e a compatibilidade, entre outros fatores. Em 2024, houve 89 doadores no Estado, com uma leve queda para 87 em 2025, e até agosto de 2026, apenas 48.

A decisão de se tornar um doador pode nascer de uma simples conversa com a família, ressaltando a importância de comunicar esse desejo. A abordagem, embora delicada, é vital para evitar incertezas em momentos de dor e sofrimento, dado que qualquer pessoa pode, a qualquer momento, precisar de um transplante, mas a viabilidade de se tornar um doador depende de circunstâncias após a morte.

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