A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na sexta-feira, 21, autorizar que o presidente Donald Trump continue a construção de um salão de baile na Casa Branca, após suspender temporariamente uma ordem de um tribunal inferior que havia determinado a interrupção da obra. O projeto, que está orçado em US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 2 bilhões) e já está 65% concluído, é justificado por razões de segurança e pela necessidade de acolher eventos oficiais, embora enfrente críticas relativas ao seu alto custo e às alterações no patrimônio histórico.
A determinação foi assinada pelo presidente da Suprema Corte, John Roberts, que permitiu a continuidade do projeto enquanto os ministros examinam um recurso emergencial apresentado pela equipe de Trump. Esta nova ordem atua como um alívio temporário à decisão judicial anterior, que exigia a paralisação das obras à meia-noite de sexta-feira, oferecendo mais tempo para que os magistrados analisassem o pedido do presidente, que deseja suspender os despachos que impedem a construção.
No dia 14 de outubro, Trump havia solicitado ao tribunal superior a autorização para retomar a obra, isto após uma corte federal de apelações ter decidido pela suspensão das atividades até que o presidente conseguisse a autorização do Congresso. A decisão do Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Columbia, que foi aprovada por dois votos a um, decidiu que grandes reformas na residência presidencial não podem ser realizadas sem o consentimento do Legislativo, salientando que cada presidente é apenas um “inquilino temporário” da Casa Branca.
Apesar das objeções legais, o governo defende que a paralisação da construção neste momento causaria danos significativos ao projeto. A administração argumenta que o edifício já se encontra em um estágio avançado e que deixá-lo exposto às condições climáticas poderia comprometer sua integridade e estética.
Além disso, a segurança nacional passou a ser um foco na defesa da continuidade das obras. O governo afirma que o novo salão poderá incluir sistemas de defesa, como drones, que visam proteger tanto o complexo presidencial quanto áreas adjacentes em Washington. Trump justificou a necessidade da construção como um espaço adequado para receber dignitários e autoridades em eventos oficiais, projetando um salão com cerca de 8.400 metros quadrados, no local onde anteriormente estava a Ala Leste, que foi demolida pelo governo.
Entretanto, opositores acusam o presidente de utilizar a Casa Branca para promover sua imagem pessoal, além de realizar intervenções excessivas em patrimônios públicos. As críticas também se concentram no custo da obra, que cresceu de US$ 200 milhões para US$ 400 milhões. Trump alega que o projeto é inteiramente financiado por doações privadas e que o aumento de valor deve-se ao tamanho ampliado e à qualidade superior da construção.
O presidente classifica a decisão do tribunal como uma “vergonha nacional” e defende que o projeto deve prosseguir. Grupos de preservação histórica também se opõem à obra, argumentando que a demolição da Ala Leste e a construção do novo salão alteram significativamente um dos edifícios mais emblemáticos dos Estados Unidos.
Este caso é apenas uma das várias intervenções realizadas por Trump em Washington desde seu retorno à Casa Branca. De acordo com o Washington Post, as reformas e modificações promovidas pelo presidente nas propriedades ligadas à sede do governo já custaram cerca de US$ 900 milhões (aproximadamente R$ 4,7 bilhões).



