No último domingo (11), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, ordenou que o aplicativo WhatsApp suspendesse, em um prazo de três horas, o canal “Exército do Lula”, que tem como administrador o deputado federal André Janones (Rede-MG).
Essa decisão foi em resposta a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), que se candidata à presidência e alegou que Janones utiliza o canal para espalhar desinformação e coordenar ataques à sua candidatura. A suspensão do canal permanecerá em vigor até que o resultado do segundo turno das eleições seja homologado.
O canal de Janones já contava com mais de três milhões de usuários e era visto como um importante recurso na mobilização digital da campanha de Lula. Contudo, a determinação de Kassio Nunes contraria uma instrução anterior do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia dado um prazo de 72 horas para que Flávio Bolsonaro apresentasse esclarecimentos sobre os pedidos em sua ação que questionava o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones.
Nas redes sociais, Janones criticou a decisão, chamando-a de censura e reafirmou seu compromisso de mobilizar os apoiadores: “Eles vão sentir agora a força de três milhões e trezentas mil pessoas unidas”, declarou. O deputado ainda afirmou ter sido impedido de criar um novo canal, considerando essa medida injustificável, e anunciou planos para estabelecer uma comunidade no Instagram visando manter a mobilização.
Em entrevista à imprensa, o ministro Sidônio Palmeira criticou a iniciativa de Flávio Bolsonaro ao questionar o canal, acusando-a de ser um sinal de medo. Ele mencionou que o canal era utilizado para direcionar seguidores a compartilhar conteúdos já desmentidos pela Justiça Eleitoral, que incluíam alegações prejudiciais sobre Flávio Bolsonaro.
Kassio Nunes também exigiu que a Meta, responsável pelo WhatsApp, fornecesse, em até 48 horas, informações sobre as ações tomadas em relação ao canal e um relatório das mensagens. Além disso, um regime de supervisão direta foi instaurado sobre a plataforma e foi solicitado que os registros fossem mantidos por pelo menos um ano. A solicitação para impedir Janones de criar novos canais será revisada após as informações serem apresentadas pela empresa.
Por outro lado, em uma decisão anterior, Cueva havia solicitado que Flávio Bolsonaro esclarecesse se havia feito pedidos semelhantes em outros processos e apresentasse as especificidades das irregularidades alegadas. O candidato também deveria identificar publicações irregulares e especificar quais dados pretendia preservar.
Embora o corregedor tenha adiado a análise dos pedidos, ele aceitou o prosseguimento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral e notificou Lula, Alckmin e Janones para a apresentação de defesa em um prazo de cinco dias. Cueva ressaltou que o recebimento da ação não implica a aceitação das acusações, que continuam sob exame da Justiça.
A decisão de Kassio Nunes foi interpretada pela campanha de Flávio Bolsonaro como uma vitória na luta contra a disseminação de informações falsas, incluindo alegações que vinculariam Flávio a diversas propostas controversas. A campanha também afirma ter apresentado provas de que Janones incentivava seus seguidores a compartilhar conteúdos sem antes analisar os mesmos, visando aumentar a visibilidade nas redes sociais.
Desde o resultado do primeiro turno, a arrecadação digital a favor da reeleição de Lula tem preocupado a campanha de Flávio, levando a uma mobilização de contraofensivas no WhatsApp. Entre as preocupações, está o potencial efeito silencioso da distribuição de informações no aplicativo.
Finalmente, a mobilização tem se intensificado à medida que aliados de Flávio buscam expor os opositores e encorajar eleitores indecisos ou aqueles que votaram em candidatos derrotados a se posicionarem no segundo turno.


