domingo, outubro 11, 2026
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Como o IMC Afeta a Qualidade dos Óvulos

No dia 11 de outubro, celebra-se o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, uma data que visa conscientizar sobre os impactos do excesso de peso, que vão além da estética. Embora muitas vezes subestimada, a relação entre o peso corporal e a fertilidade feminina é significativa, com evidências claras na literatura científica. Compreender essa conexão é essencial para aquelas que estão enfrentando dificuldades para engravidar.

O tecido adiposo não atua de maneira passiva; ele produz hormônios e outras substâncias que influenciam o eixo hormonal responsável pelo ciclo menstrual e pela ovulação. Quando ocorre um aumento na gordura corporal, esse equilíbrio se altera: os níveis de insulina elevam, enquanto os hormônios sexuais ficam desregulados, prejudicando o ambiente dentro dos folículos ovarianos, onde os óvulos se desenvolvem.

Uma pesquisa mostrou que mulheres com sobrepeso e obesidade apresentaram diminuição considerável nos níveis de estradiol, além de menor quantidade de óvulos coletados e um número inferior de embriões por ciclo em relação àquelas de peso normal. Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos e obesidade grave apresentaram uma taxa 29% maior de óvulos imaturos.

A obesidade também afeta a receptividade do endométrio, ou seja, a capacidade do útero em receber e sustentar o embrião. Um estudo com mais de 9.500 mulheres que receberam óvulos de doadoras com peso normal revelou que as receptoras obesas tiveram menores taxas de gravidez, indicando que o problema não se encontrava nos óvulos, mas sim em condições uterinas.

Para aquelas que realizam a Fertilização In Vitro (FIV) e possuem sobrepeso ou obesidade, as dificuldades começam já na fase de estimulação ovariana. Os medicamentos utilizados para estimular os ovários têm uma absorção reduzida em tecido adiposo, podendo ser necessárias doses mais elevadas para obter uma resposta adequada. Contudo, o acompanhamento por ultrassom pode ser desafiador e o acesso aos folículos durante a punção pode se tornar mais complicado.

Esses fatores resultam em custos elevados, ciclos mais longos e, em muitos casos, uma redução nas taxas de sucesso dos tratamentos.

A perda de peso traz mudanças significativas. Estudos demonstram que uma redução de 5% a 7% do peso corporal pode ser suficiente para restaurar a ovulação espontânea, otimizar a resposta a tratamentos de estimulação ovariana e aumentar as chances de gravidez. Não é necessário atingir um peso ideal antes de iniciar um tratamento, especialmente em mulheres mais velhas ou com baixa reserva ovariana, pois adiar a intervenção pode ser mais prejudicial.

O Índice de Massa Corporal (IMC) considerado ideal para quem busca engravidar varia entre 20 e 25. Um IMC abaixo de 20 pode acarretar distúrbios ovulatórios, já que o tecido adiposo é crucial para a produção hormonal. Tanto o excesso quanto a falta de peso podem comprometer a fertilidade de maneiras distintas, mas igualmente importantes.

Assim, para aquelas que estão enfrentando problemas de fertilidade ou planejando iniciar um tratamento, é aconselhável discutir com seu médico a questão do peso, como parte da avaliação, para traçar um plano eficaz e individualizado.

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