O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu formalizar sua autorização para a quebra de sigilo, colocando Flávio Bolsonaro (PL) em uma posição desafiadora. Lula exigirá que o senador forneça informações sobre si mesmo, sua família e cinco empresas das quais é sócio, incluindo a Alcazar Holdings, que possui sede na Ilha da Madeira, em Portugal, e da qual o advogado Willer Tomaz também é sócio.
Lula pretende apresentar essas demandas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a divulgação de emails pela Polícia Federal, que indicam que Flávio mantinha uma conta conjunta com Willer no banco Santander. O senador enfrenta suspeitas de participação em um esquema de lavagem de dinheiro, ligado a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Recentemente, uma funcionária do banco pediu que Flávio fosse desvinculado da conta em questão, algo que tanto ele quanto Willer negam.
A assessoria de Flávio Bolsonaro se manifestou, afirmando que não houve nenhuma conta sob o nome de Willer Tomaz com acesso principal, qualificando as alegações como falsas. O termo “usuário master” refere-se ao titular de uma conta, dotado de permissões administrativas superiores a outros usuários, sendo que seu significado pode variar de acordo com cada instituição financeira.
A equipe de Lula quer fazer um anúncio sobre a quebra de sigilo, agendado para ocorrer antes de compromissos em estados como Maranhão e Pernambuco. A proposta contempla a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente, bem como dos seus familiares. No documento, será destacado que Lula é sócio não administrador da LILS, uma empresa que gerencia suas palestras, fundada em 2011.
Além de seus próprios dados, Lula também incluirá informações da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, e dos filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís (Lulinha), Sandro e Luís Claudio Lula da Silva. O presidente sugere que ambos os candidatos apresentem suas informações simultaneamente. Assim, Lula se comprometerá a entregar seus dados se Flávio também autorizar a divulgação de extratos, declarações de imposto de renda, rendimentos, bens, dívidas e registros de chamadas relacionados à sua família e empresas.
A equipe de Lula apresentou uma provocação a Flávio, instando-o a abrir seus registros para também permitir um exame semelhante da sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e dos pais, Jair e Rogéria Bolsonaro, além de seus irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan. Os assessores do presidente destacam que Flávio é sócio de várias empresas no Brasil e movimenta grandes quantias, incluindo contas no exterior.
As declarações foram feitas após o primeiro debate presidencial do segundo turno, onde ambos os candidatos trocaram acusações sobre corrupção. No debate, Lula desafiou Flávio a permitir a abertura de seus sigilos para que irregularidades pudessem ser investigadas antes das eleições.
Ainda no encontro, Lula sugeriu que ambos entregassem documentos aos presidentes do Supremo Tribunal Federal e do TSE. Flávio alegou não ter nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a proposta, além de acusar Lula de possuir recursos fora de suas contas bancárias, sem apresentar evidências.
O embate foi acirrado, especialmente após Flávio solicitar explicações sobre Lulinha, que foi mencionado em investigações relacionadas às fraudes no INSS. Lula respondeu que seu filho havia concedido autorização para que a Polícia Federal acessasse seus dados financeiros e de comunicação.
Por fim, o presidente questionou Flávio sobre sua ligação com Daniel Vorcaro, um banqueiro, e um pedido do senador para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro no valor de R$ 134 milhões.



