No segundo turno das eleições de outubro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado vencedor com 51,79% dos votos válidos. Contudo, o ex-presidente, que insistia em seus direitos ao cargo, não aceitou a derrota e adotou uma postura mimada. Ao invés de respeitar o resultado das urnas, ele decidiu que sua visão era a única válida.
Em um espetáculo lamentável, esboçou um plano para ignorar a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibia de deixar o Brasil. Com uma estratégia típica de alguém que evita enfrentar as consequências, ele se esgueirou pela fronteira argentina e embarcou em um jato particular rumo aos Estados Unidos, deixando uma atmosfera de constrangimento no país.
Ao chegar em Miami, o ex-presidente, cercado por palmeiras artificiais, fez uma declaração ambiciosa por meio das redes sociais, onde se autodenominou, a partir da Flórida, o legítimo presidente do Brasil. A cena lembrava uma criança que, ao perder uma partida de futebol, leva a bola embora e clama que as regras são injustas.
Entretanto, sua tentativa de isolamento político rapidamente se desmoronou. Aliados que antes apoiavam suas ações começaram a se afastar. No Congresso, olhares de desapontamento e incredulidade predominavam enquanto todos se distanciavam do ex-presidente, que passava a ser visto como um embaraço.
Nem mesmo governadores que antes o apoiavam estavam dispostos a se associar a sua autoproclamação, criando um vácuo em sua base de apoio. Somente um político no Espírito Santo se referiu a ele como presidente em suas plataformas sociais, tentando animar seus seguidores.
A imagem do ex-presidente se enfraqueceu ainda mais ao perceber o afastamento de seus aliados, uma situação análoga à marcha de Macduff em direção ao castelo do usurpador. Isolado em sua fortaleza cheia de ar-condicionado, ele viu que ninguém fora de seu círculo próximo estava disposto a apoiar sua manifestação radical.
Após um vexame monumental, sua atrevida autointitulação durou apenas cerca de uma hora, resultando em uma rápida retratação. Envergonhado pela própria posição, ele modificou seu título nas redes, deixando de lado o termo “presidente eleito” em favor de “líder do Brasil”. A comparação com tragédias clássicas é inadequada, pois, no Brasil, essa narrativa se encerra em uma série de comentários na internet, com um ex-presidente mimado reclamando por não ter obtido o apoio que tanto desejava.
Rubem Roschel é jornalista e cronista de quinta.



