Uma servidora da Prefeitura de Santa Teresa, identificada como Cristiane Pimenta, denunciou ter sido exonerada devido à sua recusa em apoiar candidatos apoiados pelo prefeito Kleber Medici (PSDB). A exoneração ocorreu no dia 5 de outubro, um dia após as eleições, e está sendo investigada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que abriu uma Notícia de Fato Eleitoral para apurar os fatos.
De acordo com a denúncia, Cristiane foi convocada para uma reunião com João Paulo, chefe de gabinete do prefeito, onde foi informada sobre a insatisfação em relação à sua falta de apoio na campanha. Durante a conversa, teria sido comunicada de que sua exoneração havia sido solicitada pelo prefeito. A servidora registrou a conversa, conteúdo que ela planeja compartilhar com as autoridades para ajudar na investigação.
Cristiane relatou que, ao longo do período eleitoral, foi exposta a expectativas de apoio às candidaturas do prefeito, incluindo a solicitação de votos, participação em eventos de campanha e adesivagem de seu veículo, o que não atendeu por opção política. Ela ainda mencionou que um funcionário deixou material de campanha em sua mesa no local de trabalho, mas ela se recusou a fazer uso do ambiente de trabalho para promover candidatos.
A denunciante se mostrou disposta a fornecer testemunhas que possam atestar sua conduta profissional e a situação do material de campanha deixado em sua mesa. Cristiane também afirmou que a falta de apoio a certas candidaturas não deveria resultar em represálias em sua função.
Maria Clara Pimenta, filha de Cristiane, manifestou que a mãe está emocionalmente abalada após a exoneração, sentindo-se humilhada pelo modo como recebeu a notícia, embora tenha dedicado vários anos ao serviço público. Ela acompanhou Cristiane na reunião, onde a gravação da conversa foi feita para comprovar o que aconteceu.
A perda do cargo trouxe consequências financeiras para Cristiane, que depende de sua remuneração para arcar com suas despesas mensais. Ela ressaltou que sua exoneração não deveria ocorrer por sua posição política e informou ter registrado um boletim de ocorrência na Delegacia Virtual.
Além de notificar o secretário de Governo para prestar esclarecimentos, o MPES também requisitou que Cristiane apresente a gravação e outros documentos que possam elucidar a situação. A análise desses materiais será crucial para avaliar as circunstâncias que cercaram a exoneração e possíveis ocorrências de pressão política.
O MPES observa que a coação em relação a servidores para apoiar candidatos pode configurar assédio eleitoral, sendo essa prática potencialmente observável em instituições públicas com hierarquias claras. Para caracterizar tal irregularidade, a análise do contexto e das provas disponíveis é essencial.
Por fim, a Prefeitura de Santa Teresa foi contatada para comentar sobre os motivos da exoneração de Cristiane, a possível cobrança de apoio eleitoral e o relato de entrega de material de campanha em seu local de trabalho, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta, permanecendo espaço aberto para eventuais esclarecimentos futuros.



