terça-feira, outubro 13, 2026
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Reforma Tributária Requer Cuidado Redobrado dos Pequenos e Gera Preocupação no ES

As pequenas empresas do Espírito Santo devem estar atentas às mudanças que a reforma tributária traz à forma de arrecadação de impostos no Brasil. Essa avaliação foi feita por Rodrigo Sartorio, diretor executivo de Produtos da TOTVS, durante o evento Universo Totvs 2026. Segundo ele, as transformações vão além do simples pagamento de tributos.

Os empresários precisarão ajustar seus sistemas, revisar preços e reestruturar suas contas, além de acompanhar novas regulamentações que ainda estão em processo de alteração. Aqueles que não se prepararem adequadamente podem ter dificuldades para realizar vendas, emitir notas fiscais e receber pagamentos.

Sartorio enfatizou que, mesmo as empresas menores, devem tratar essa questão como uma prioridade, independentemente da estrutura de equipe. Ele defendeu que cada negócio tenha ao menos uma pessoa encarregada de monitorar essas transformações.

“Não se trata apenas de atualizar software; há uma dimensão estratégica importante”, afirmou. Os empreendedores precisam compreender o impacto que os novos tributos terão sobre seus preços, custos e lucros mensais. Essa atenção é especialmente crucial para os pequenos negócios, que costumam contar com menos funcionários e recursos para administrar essas intricadas mudanças.

No Estado, as empresas de importação, exportação, transporte e distribuição estão entre as mais prejudicadas por essas alterações, especialmente devido à intensa atividade portuária que movimenta produtos para diversas regiões do país. Esse setor já passou por ajustes em seus sistemas para se adequar às novas normas de comércio exterior e agora enfrentam a reforma tributária, o que representa um desafio duplo para os empresários capixabas.

Outro ponto levantado por Sartorio foi a preocupação com a possível diminuição da arrecadação tributária no Espírito Santo. A reforma determina que parte dessa receita será direcionada ao estado onde os produtos são consumidos. Como muitos produtos entram pelos portos capixabas, mas são vendidos em outros estados, há risco de perda de arrecadação para o Espírito Santo.

Atualmente, não há cálculos exatos sobre as possíveis perdas. As implementações da reforma ocorrerão de maneira gradual, com regras de transição e compensação, mas o comércio, a indústria e as empresas de logística precisarão rever seus custos e encontrar novas estratégias para manter a competitividade no mercado.

Para auxiliar nesse cenário, a TOTVS expandiu suas equipes dedicadas à atualização e desenvolvimento de sistemas. Sartorio observou que as novas regras governamentais costumam ser anunciadas muito próximas da data de implementação, necessitando de atualizações rápidas nos programas para evitar erros no cálculo dos impostos e na emissão de notas fiscais.

Além disso, a empresa está implementando novas ferramentas para atender às necessidades do mercado, visando assegurar que os empresários possam continuar suas operações normalmente, mesmo diante das mudanças regulatórias.

Dentre as inovações apresentadas pela TOTVS, destaca-se o sistema TOTVS Inteligência Tributária, que auxilia os empresários a estimar os impostos sob as novas diretrizes. A companhia também passou a incorporar inteligência artificial para facilitar a identificação dos tributos aplicáveis a cada produto, já que um erro neste processo pode resultar em pagamentos indevidos. Contudo, Sartorio ressaltou a importância da verificação humana, especialmente em decisões significativas.

A reforma tributária será implantada em fases nos próximos anos, com conclusão prevista para 2033. Mudanças relevantes nos impostos federais terão início em 2027, enquanto entre 2029 e 2032 ocorrerá a substituição progressiva de tributos estaduais e municipais. O executivo acredita que com o tempo, o sistema pode se tornar mais simplificado, favorecendo as empresas que operam de maneira eficiente, em vez daquelas que dependem de incentivos fiscais.

Contudo, Sartorio alerta que as dificuldades tendem a aumentar até que as melhorias sejam vistas: “A complexidade vai aumentar antes de se resolver, e o desafio será manter a sustentabilidade dos negócios, empregos e competitividade nesse percurso”. Para as pequenas empresas, a orientação é iniciar a preparação o quanto antes, evitando que erros e custos excessivos impactem suas finanças.

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