quarta-feira, outubro 28, 2026
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Trump afirma que “não vai se envolver” após Flávio se declarar “presidente eleito” do Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira, 28, que não irá intervir na agitação política que se segue às eleições no Brasil. Isso ocorreu após Flávio Bolsonaro, que chegou aos Estados Unidos depois de ter sido derrotado nas eleições, afirmar em uma carta que é o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil.

Em resposta a perguntas sobre a declaração de seu aliado de direita, Trump comentou: “Não farei comentários sobre isso, mas eu sei que permitimos sua entrada no país; então, vamos ver o que acontece. Mas não me envolvereis. A eleição foi realmente estranha, isso é certo.”

Quando perguntado sobre os motivos que levaram o governo a permitir a entrada de Flávio, Trump disse: “Acho que ele foi tratado de forma injusta. Não tomei uma posição sobre a eleição, como vocês sabem, mas, quando vejo algo inapropriado, eu me manifesto.”

Flávio Bolsonaro, em sua carta divulgada nesta quarta-feira, agradeceu a Trump e ao presidente da Argentina, Javier Milei. Ele se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, em sua primeira manifestação desde que deixou o país.

O senador foi derrotado no segundo turno das eleições no domingo, 25, com Luiz Inácio Lula da Silva conquistando um quarto mandado histórico, recebendo 51,77% dos votos válidos, em comparação aos 48,23% de Flávio. Apesar da derrota, o candidato do PL não a reconheceu e saiu do Brasil.

A vitória de Lula foi oficialmente reconhecida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, na mesma noite da eleição. O Partido Liberal e o vice de Flávio, Alfredo Gaspar, também validaram o resultado.

Flávio tinha recebido uma intimação na segunda-feira, 26, para entregar seus passaportes em um período de 24 horas, devido a um inquérito investigativo sobre possíveis irregularidades financeiras envolvendo ele e o advogado Willer Tomaz. Como não compareceu, a Polícia Federal informou ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, sobre o descumprimento e cancelou os passaportes de Flávio.

Na terça-feira, 27, ele deixou o Brasil com a esposa e as duas filhas, cruzando a fronteira por Foz do Iguaçu. A família embarcou em um jato particular em um aeroporto na Argentina e chegou a Miami na manhã da quarta-feira, logo após as 10h30, no horário de Brasília.

Flávio entrou na Argentina utilizando seu passaporte italiano e, em seguida, usou um passaporte diplomático para acessar os Estados Unidos, uma vez que seus documentos brasileiros haviam sido cancelados e não poderiam ser utilizados.

Antes de sair do Brasil, Flávio manifestou a intenção de solicitar a anulação do segundo turno da eleição em uma entrevista e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin.

A carta que Flávio divulgou possui três versões. A primeira exibia um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, datada de 15 de novembro de 1889, em referência à Proclamação da República. Quinze minutos depois, uma versão atualizada foi publicada, corrigindo o nome do país. Uma terceira versão, publicada nas redes sociais, apresentou uma redação menos agressiva, onde ele se autodenominava “o líder do Brasil” em vez de “verdadeiro presidente eleito”.

Na carta, Flávio alega que o resultado do segundo turno é uma “fraude eleitoral”, sem apresentar evidências, ecoando as alegações de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Ele também descreve como “inapropriada” a ação do ex-advogado de Lula em relação à prorrogação do horário da votação, decidida pelo ministro do STF Cristiano Zanin, que atendeu a pedidos tanto do PT quanto do PL. O senador ainda se compara a políticos que, perseguidos, optaram pelo exílio.

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