A venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco para Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, passará por rigorosa análise, conforme declarado pelo presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), Caio Cordeiro de Resende. A transação, estimada em pouco mais de R$ 2 bilhões, é tratada como certa por Pedrinho, presidente do Vasco, e Lamacchia. No entanto, ainda são necessárias diversas etapas burocráticas e jurídicas para que o acordo seja oficialmente finalizado, segundo os esclarecimentos do advogado do empresário.
O Vasco, que atravessa uma grave crise financeira e está em recuperação judicial, envia os documentos requeridos pela ANRESF para averiguação de possíveis conflitos de interesse vinculados à negociação. A agência ficará responsável por verificar se a transação cumpre os princípios estabelecidos na regulamentação vigente, que proíbe a posse ou influência significativa de indivíduos sobre mais de um clube em competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Leila Pereira, que tem laços diretos com os dois clubes, declarou de forma bem-humorada em outubro do ano passado que não está comprando nem o Vasco nem a Netflix. Sua empresa, a Crefisa, concedeu um empréstimo de R$ 80 milhões ao time carioca, com a exigência de 20% das ações da SAF em garantia, caso o clube não quite a dívida.
Além disso, Leila Pereira, que preside o Palmeiras, se destacou no meio esportivo primeiro como patrocinadora do clube, depois como conselheira e atualmente como presidenta. Embora parte de sua família tenha sido torcedora do Vasco, sua trajetória a uniu ao Palmeiras, time pelo qual seu marido, José Roberto Lamacchia, torce.
As conversas sobre a venda já estão em andamento há meses, e embora a ANRESF tenha feito contatos informais para entender a situação, só poderá atuar após ser oficialmente notificada sobre a mudança societária. A documentação enviada pelo Vasco incluirá um Memorando de Entendimento entre as partes envolvidas. O órgão de fair play irá decidir, após análise, se instaurará um procedimento para avaliar a questão da multipropriedade entre os clubes.
A legislação do Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF estabelece que mudanças na estrutura de propriedade devem ser analisadas quanto à conformidade com as regras de integridade das competições, garantindo que não haja conflitos de interesse.



