A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou na última quinta-feira (29) o registro de cinco novas canetas emagrecedoras, que contêm liraglutida e semaglutida, substâncias empregadas no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Com essa nova aprovação, são 19 canetas liberadas pela Anvisa em 2026, das quais 12 são baseadas em semaglutida, seis em liraglutida e uma nova versão do Mounjaro (tirzepatida).
As novidades incluem Aribet (liraglutida), Sevema (semaglutida) e Embeltah (semaglutida), indicadas para diabetes, juntamente com Lyrza (liraglutida) e Wylovol (liraglutida), que visam o tratamento da obesidade, em combinação com dieta e atividade física.
É importante destacar que a ampliação da gama de marcas não implica que todos os produtos sejam utilizados de forma indiscriminada. Cada medicamento deve ser escolhido com base na indicação, dosagem e características específicas.
A endocrinologista Bruna Marinho, que coordena o Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho em Belo Horizonte (MG), enfatiza que a escolha do medicamento deve levar em consideração o diagnóstico, a necessidade de emagrecimento, doenças concomitantes do paciente, estudos disponíveis e a viabilidade de manter o tratamento por períodos prolongados.
Este último aspecto é fundamental, uma vez que a obesidade e o diabetes são condições crônicas e, segundo especialistas, frequentemente requerem tratamento farmacológico contínuo por meses ou anos. Assim, um medicamento que tenha um alto potencial de emagrecimento, como o Mounjaro, pode não ser a melhor escolha se o paciente não puder suportar seu custo a longo prazo.
Os efeitos colaterais esperados também são determinantes na escolha do medicamento. Os fármacos dessa classe atuam sobre o sistema gastrointestinal e podem provocar sintomas como náuseas, dor abdominal, refluxo e constipação, além de outras alterações intestinais.
O sucesso comercial e clínico dessas substâncias incentivou as grandes indústrias farmacêuticas a procurar moléculas mais eficazes, com menos efeitos adversos e em formatos de uso mais práticos, como comprimidos orais, com quatro novos produtos já em fase avançada de testes.
CagriSema, survodutida e retatrutida estão em estágios avançados desenvolvidos pela Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, respectivamente. Todos eles estão na fase 3, que é a etapa final antes da solicitação de aprovação das agências reguladoras, como a FDA nos Estados Unidos e a Anvisa.
O orforglipron já completou os testes e recebeu aprovação da FDA em abril. Produzido pela Lilly, é um medicamento de uso oral, comercializado nos EUA sob o nome Foundayo, mas ainda não foi lançado no Brasil, onde a expectativa é que chegue às farmácias no segundo semestre de 2027.
No campo da semaglutida, que simula a ação do GLP-1, um hormônio essencial para o controle da glicose e da saciedade, a Anvisa aprovou em 26 de maio o Ozivy, da EMS, o primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após o vencimento da patente. Esse produto é direcionado a adultos com diabetes tipo 2 que não estão adequadamente controlados.
Em 10 de julho, o Ozivy se integrou à Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa. Em 29 de julho, cinco novos medicamentos à base de semaglutida foram autorizados: Owozy (Ávita Care), Seemasun (Sun Farmacêutica), Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed) e Orsema (Ranbaxy), todos indicados para adultos com diabetes tipo 2.
No dia 17 de agosto, a EMS recebeu a aprovação do primeiro genérico de semaglutida registrado no país, que não terá nome comercial, conforme a legislação. Na mesma data, o Semaclique, da Germed, foi aprovado como similar. Em 24 de agosto, um segundo genérico de semaglutida foi liberado, também pela Germed. Os medicamentos semelhantes são identificados pelo nome comercial, e, ao contrário dos genéricos, nem sempre podem ser substituídos pelo produto de referência.
Em 31 de agosto, foi autorizado o Yluméc, da EMS, classificado como medicamento similar na modalidade clone. Na última quarta-feira, Embeltah e Sevema, da indiana OneSource Specialty, ambas para diabetes, receberam aprovação.
Em relação à liraglutida, também houve novos lançamentos neste ano, sendo ela parte dos agonistas do receptor de GLP-1. A Anvisa aprovou o Liraclick, da Germed, em 1º de junho, e em 8 de setembro, duas versões genéricas de liraglutida da EMS, destinadas ao tratamento de diabetes tipo 2 e da obesidade, receberam autorização.
Estes produtos são equivalentes aos medicamentos Olire e Lirux, que começaram a ser comercializados no final de 2025, com o Olire voltado para a obesidade e o Lirux para o diabetes tipo 2. Os dois estão disponíveis em canetas de 6 mg e têm preços a partir de R$ 84 nas principais redes de farmácias online, sendo que por lei, os genéricos devem ser, no mínimo, 35% mais baratos que os medicamentos de referência.
Recentemente, foram aprovadas mais três canetas com liraglutida: Aribet (para diabetes) e Lyrza e Wylovol (para obesidade), produzidas pela indiana Biocon. Uma das particularidades da liraglutida, quando comparada à semaglutida e à tirzepatida, é que sua aplicação ocorre normalmente uma vez por dia, enquanto as outras requerem administração semanal.
Quanto à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, também aprovado pela Anvisa para diabetes tipo 2 e obesidade, atua em dois hormônios relacionados ao metabolismo, o GLP-1 e o GIP, caracterizando-se como um agonista duplo. No Brasil, o Mounjaro é o único fármaco aprovado com essa substância, ainda sob patente.
No dia 18 de março, a Anvisa autorizou o registro da versão multidose do Mounjaro, que, ao contrário das canetas descartáveis, possui uma apresentação reutilizável que permite múltiplas aplicações de um mesmo frasco.
Por fim, a dulaglutida, também integrante da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, tem como principal referência no Brasil o Trulicity, da Eli Lilly, que é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. Até agora, não existem versões genéricas ou similares desse medicamento no país devido à proteção da patente.



