quinta-feira, outubro 8, 2026
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As prioridades a serem atendidas pelos senadores eleitos

A situação no Supremo Tribunal Federal (STF) e a renovação de dois terços das cadeiras no Senado tornaram a disputa por 54 vagas de senador um ponto central nas eleições deste ano. Contudo, segundo analistas, os novos senadores terão que lidar com questões que vão além da função de aprovar e cassar mandatos de ministros do STF.

A lista de desafios inclui tópicos cruciais, como:

– O risco de uma recessão econômica;
– O controle do orçamento público;
– A aprovação de medidas voltadas ao combate ao crime organizado.

Além disso, há as denúncias de corrupção potencializadas pelo escândalo do caso Master, que não deverão desaparecer. Marize Schons, especialista em Sociologia, observa que o papel fiscalizador dos senadores se divide entre a fiscalização contínua da rotina orçamentária e a investigação de casos específicos, impulsionadas por denúncias.

De acordo com ela, a verdadeira função do Senado é garantir que os repasses de verbas sejam vinculados a resultados efetivos e acompanhar a execução orçamentária, ao invés de se concentrar na gestão de políticas específicas. Schons menciona que “o legislador brasileiro acaba, muitas vezes, assumindo papéis que vão além do que está formalmente determinado”.

Ela alerta para o risco da sobrecarga de funções informais, que pode obscurecer a responsabilidade fiscalizadora dos senadores. “As investigações nunca são isentas dos interesses políticos nos quais os próprios senadores estão envolvidos”, acrescenta.

A especialista acredita que, mais do que a crise entre os Poderes, o voto econômico exerce um papel preponderante na escolha dos eleitores, dada a importância de questões como renda, emprego e custo de vida. A situação atual é marcada pela incerteza econômica.

“O orçamento está comprometido, pressionado por crescentes despesas obrigatórias. Além disso, as famílias enfrentam a alta dos juros e da inflação. A taxa Selic está fixada em 14% ao ano, encarecendo o crédito e inibindo a atividade econômica, enquanto a inflação, embora dentro da meta, continua a afetar a renda de forma substancial”, comenta.

Nesse contexto, Schons reforça que a sociedade espera uma postura responsável dos parlamentares em relação aos recursos públicos. “Quando o povo está sob pressão financeira, um aumento nos salários da classe política gera um grande impacto. É importante que a mensagem de que os senadores não estão se beneficiando do orçamento para fins pessoais seja transmitida”, completa.

Ela pontua que o Senado faz parte de um “ecossistema de poder e possui responsabilidades” em relação a temas como corrupção, economia e crime organizado. Em sua visão, o Legislativo não é um “observador externo”.

Partindo dessa perspectiva, corrupção, crime organizado e impunidade não são anomalias projetadas sobre uma classe política neutra, mas sim problemas que permeiam as estruturas de poder. A elite parlamentar integra um arranjo que busca fiscalizar, e, por isso, toda agenda legislativa deve considerar essa realidade, sob pena de criar normas que a própria classe interessada possa querer neutralizar.

Na análise de Daniel Pinheiro, analista político e professor na Universidade do Estado de Santa Catarina, o viés ideológico dos candidatos a cargos legislativos ganhou destaque nas eleições recentes, equilibrando-se com as propostas práticas dos concorrentes.

“Trazer recursos para o estado e revisar o pacto federativo estão entre as propostas comuns, mas sempre ligadas a um valor ideológico. Essa necessidade de uma autodeclaração ideológica ressoa com parte do eleitorado”, observa.

Pinheiro também destaca que, embora o discurso de “arrumar o país” tenha uma carga ideológica, não necessariamente apresenta soluções concretas para desafios em áreas como economia, segurança pública e educação. “Nem todo eleitor compreende a função de cada cargo que está escolhendo. Ele acaba comprando um ‘pacote’. Assim, o alinhamento ideológico se mostra atrativo ao perfil do eleitor brasileiro, vinculando temas ao posicionamento político do grupo”, explica.

Dessa forma, questões como pautas de costumes e a possibilidade de abertura de processos de impeachment para ministros do STF ganharam espaço nas campanhas, refletindo a cobrança dos eleitos após o pleito. “Nesse sentido, pautas mais amplas, que poderiam parecer distantes do cotidiano, se mostram mais atraentes do que aquelas mais práticas e diretas, como economia e segurança”, acrescenta.

Marize Schons também enfatiza que a digitalização transformou a maneira como os eleitores monitoram o trabalho dos senadores. Em 2026, cada estado irá eleger dois candidatos ao Senado.

Ela sugere que o acompanhamento online das atividades dos senadores é essencial, mas adverte que a política não deve se resumir a postagens em redes sociais. “O trabalho parlamentar deve ser avaliado com base na presença e no voto em plenário, nas relatorias, emendas, atuação em comissões e na concretização de promessas. A mídia social pode informar, mas não substitui o registro público da atividade legislativa, que documenta os resultados, ou a falta deles”, reflete.

Em relação ao foco no impeachment de ministros do STF, Schons pondera que as indicações do próximo presidente da República provavelmente terão um impacto maior sobre a configuração do STF do que a possibilidade de abertura de processos de cassação no Senado. O futuro presidente, que assumirá em 2027, terá a capacidade de indicar até quatro ministros ao STF até 2030.

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