terça-feira, setembro 1, 2026
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Cesan planeja desativar a Estação de Tratamento de Esgoto de Camburi em 2028

Nova unidade atenderá ao tratamento de efluentes na Serra

Reprodução/Cesan

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Camburi, situada em Vitória, está prevista para ser desativada no início de 2028, conforme um novo relatório técnico apresentado pela Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) à Justiça. A companhia informou que a nova Estação de Produção de Água de Reúso (EPAR Camburi), proposta para substituir a atual unidade, já possui licenciamento e as obras estão em andamento em um terreno de 11 mil metros quadrados doado pela ArcelorMittal, localizado atrás do Fórum Cível da Serra, em São Geraldo.

Esta informação foi incluída na defesa enviada pela Cesan em resposta a uma ação civil pública resultante de uma denúncia da Juntos SOS Espírito Santo Ambiental. A associação solicitou judicialmente que fossem tomadas medidas para controle dos odores provenientes da estação, incluindo monitoramento, preservação de dados operacionais, inspeções técnicas e a criação de um plano emergencial para evitar novas ocorrências de mau cheiro.

A nova unidade será responsável pelo tratamento do efluente que atualmente é direcionado à ETE Camburi e terá como objetivo a produção de água de reúso para uso industrial. Essa proposta está inserida no contrato estabelecido entre o Governo do Estado, a Cesan e o consórcio GS Inima. Contudo, já houve resistência por parte de moradores da Serra, que expressaram preocupações referentes à transferência dos impactos operacionais, bem como à instalação do novo sistema de tubulação que atravessará vários bairros para conduzir o esgoto até a EPAR, exigindo maior participação da comunidade nas decisões.

O relatório técnico foi adicionado ao caso judicial neste domingo e representa a primeira atualização da empresa desde que a Justiça pediu um posicionamento sobre o pedido de liminar. Depois de receber os documentos, a juíza Sayonara Couto Bittencourt, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Municipal, Registros Públicos, Meio Ambiente, Saúde e Acidentes de Trabalho de Vitória, encaminhou o processo ao Ministério Público do Espírito Santo.

Enquanto a nova estrutura não está operacional, a Cesan alega que implementou diversas medidas para estabilizar a ETE Camburi e mitigar a ocorrência de novos episódios de mau cheiro. A companhia considera o incidente, que ocorreu principalmente em junho e julho, como “pontual e superado”. O relatório identifica várias causas potenciais para a alteração no funcionamento da estação e afirma que medidas corretivas e preventivas foram executadas.

Essas medidas incluem a manutenção dos equipamentos de aeração, limpeza das lagoas, remoção de materiais acumulados, monitoramento de parâmetros físico-químicos e biológicos, e aplicação de produtos e técnicas para acelerar a degradação da matéria orgânica. A Cesan informa que atualmente todos os 24 aeradores da ETE estão em operação, somando cerca de 330 cavalos de potência. Adicionalmente, foram realizadas manutenções em motores de aeração e no Centro de Controle de Motores.

A empresa começou a utilizar caminhão-vácuo semanalmente para remover materiais acumulados e realiza limpeza manual diária das lagoas. A limpeza dos canais desarenadores foi aumentada para uma vez por mês. Foi também implementado um processo de bioaumentação, utilizando microrganismos do ambiente para acelerar a degradação da matéria orgânica, com o objetivo de reduzir o acúmulo de lodo e diminuir a formação de compostos odoríferos.

Embora a Cesan afirme que o problema já foi resolvido, a companhia apresentou uma nova análise a respeito de parte da questão. Análises laboratoriais detectaram, a partir de julho, um aumento incomum na carga do esgoto bruto que chegava à estação, com concentrações de até 1.400 mg/L de demanda química de oxigênio (DQO), 848 mg/L de demanda biológica de oxigênio (DBO) e 693,37 mg/L de óleos e graxas, valores que superam os parâmetros típicos de esgoto doméstico.

Apesar da alteração da carga orgânica, a empresa afirma que não houve sobrecarga hidráulica, já que não houve aumento proporcional da vazão. A hipótese levantada é a possibilidade de lançamentos irregulares de efluentes de terceiros na rede coletora, embora essa situação não tenha sido detalhada no documento.

A associação ambientalista requisitou à Justiça que a Cesan implemente o monitoramento de compostos odorantes, tanto dentro quanto fora da ETE, especialmente nas áreas residenciais afetadas pelos episódios de mau cheiro. No entanto, a empresa declarou que não está planejada a ampliação do monitoramento de sulfeto de hidrogênio (H₂S) para locais externos à estação.

A companhia informou que já começou a medição de H₂S em pontos internos da estação, incluindo a lagoa aerada e o tratamento preliminar, além de monitorar diariamente parâmetros como pH, temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade e potencial redox.

A Cesan também manifestou que não planeja, por ora, a criação de um canal público específico e georreferenciado para o registro de ocorrências de odor, embora todos os canais gerais de atendimento ao público permaneçam disponíveis. A empresa diz que realiza avaliações qualitativas diárias concernentes à percepção de odores, feitas pelas equipes operacionais e moradores nas proximidades da unidade.

Localizada no bairro Aeroporto, a unidade de tratamento de Camburi possui três lagoas que recebem esgoto de diversas áreas de Vitória e Serra, sendo alvo de reclamações acerca do mau cheiro e do impacto ambiental na região. A continuidade da operação da estação dependerá das medidas que a Cesan implementar para garantir a estabilidade do tratamento até a entrada da EPAR em funcionamento.

No âmbito do processo judicial, a Cesan informou que já existe um plano de ação estruturado para a prevenção e controle de odores. A companhia também afirmou que não há impedimentos técnicos para uma inspeção na estação com a participação da associação, desde que previamente agendada e atendidas as normas de segurança. A empresa sustenta que o sistema biológico necessita de tempo para restaurar seu equilíbrio microbiológico após mudanças operacionais e que, com as medidas já tomadas, não espera novas ocorrências nos mesmos níveis anteriores.

A Juntos SOS Ambiental havia solicitado à Justiça que obrigasse a Cesan a adotar medidas adicionais enquanto a atual estação estiver em operação, incluindo monitoramento externo, plano emergencial e mecanismos para registrar as ocorrências. Após a resposta da Cesan, a juíza decidiu enviar o caso ao Ministério Público, que deverá se manifestar sobre a situação.

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