quarta-feira, outubro 28, 2026
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Descubra os nomes que já estão cotados para assumir os ministérios.

A formação do quarto governo do presidente Lula (PT) começa a se delinear, com diversos nomes disputando os principais cargos da administração. Uma das decisões mais cruciais será a escolha para o Ministério da Fazenda, em resposta às pressões do mercado por uma indicação que sinalize compromisso com a responsabilidade fiscal, especialmente após as reações adversas aos ativos financeiros em decorrência da reeleição.

O governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), de 41 anos e ex-secretário da Fazenda estadual, é um dos candidatos fortes para a posição. Ele é visto como um profissional com habilidades técnicas, experiência em gestão fiscal e relevância política junto aos investidores e assessores de Lula. Fonteles também foi um dos coordenadores da campanha presidencial no segundo turno e estreitou laços com a equipe de Lula. Embora tenha afirmado que deixar o governo piauiense para assumir a Fazenda “nem passa pela cabeça”, ele aceitaria a proposta se fosse convidado.

Outro nome cogitado é o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Analistas econômicos destacam que ele desfruta de uma boa aceitação no mercado, possui um perfil fiscalista e tem defendido a sustentabilidade das contas públicas sem onerar os mais vulneráveis. Alckmin, no entanto, também declarou que não recebeu convite oficial para assumir a pasta.

Para a Casa Civil, Camilo Santana (PT-CE) é considerado o principal nome. O senador se destacou ao auxiliar na reorganização da campanha de Lula, enquanto Fernando Haddad também é mencionado como uma opção viável para o cargo.

A articulação do governo com o Congresso será crucial, especialmente diante do fortalecimento da direita nas câmaras legislativas. Para a Secretaria de Relações Institucionais, há apoio a um nome do Centrão, com Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos, sendo um dos cotados.

João Campos (PSB) surge como o favorito para a pasta de Ciência e Tecnologia, que foi ocupada por seu pai, Eduardo Campos, durante o primeiro governo Lula. André Janones (Rede-MG), conhecido pelo canal “Exército do Lula” e por sua atuação nas redes sociais durante a campanha, é cogitado para a Secretaria de Comunicação ou a Secretaria-Geral.

No Ministério do Planejamento, a expectativa é pela continuidade de Bruno Moretti, que possui a confiança do presidente.

Depois de ser reeleito, Lula terá a prerrogativa de indicar pelo menos 10 ministros para as duas principais cortes do País até 2030. No STF, quatro vagas devem se abrir nos próximos anos: uma delas já está disponível em razão da aposentadoria de Luís Roberto Barroso, enquanto Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes deixarão a corte em 2028, 2029 e 2030, respectivamente, ao completarem 75 anos. No STJ, Lula terá ao menos seis indicações por conta de aposentadorias compulsórias. Se ele nomear os quatro ministros do STF, terá realizado a escolha de sete dos 11 integrantes ao longo de seus mandatos, todos exigindo sabatina e aprovação do Senado.

O presidente reeleito deseja promover um diálogo com governadores, incluindo adversários, visando a pacificação e a construção de uma governabilidade efetiva. A estratégia inclui inicialmente conversas com gestores que estão alinhados ao governo, abordando projetos que necessitam de apoio federal. Posteriormente, Lula se reunirá com governadores mais moderados, como Raquel Lyra, de Pernambuco, e Cleitinho Azevedo, de Minas Gerais. Em um terceiro momento, a ideia é ouvir governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas, de São Paulo, Douglas Ruas, do Rio de Janeiro, e Luciano Zucco, do Rio Grande do Sul.

Tem-se a expectativa de que o diálogo com os estados possa atenuar a tensão política e facilitar a implementação de projetos que dependem de cooperação entre o governo federal e os estaduais. Lula também manifestou interesse em conversar com candidatos derrotados no primeiro turno para avaliar propostas que possam ser integradas ao seu governo.

O resultado do primeiro turno é encarado como um alerta sobre a necessidade de adaptação da gestão, com algumas mudanças anuais no governo para reestabelecer conexões com setores do eleitorado que se distanciaram de sua administração.

Os partidos que compõem o Centrão já buscam espaço no novo governo, mesmo com algumas legendas tendo apoiado Flávio Bolsonaro na última eleição. Os partidos PSD, MDB, Republicanos e a federação entre União Brasil e PP estão entre aqueles que podem ser parte das negociações. Apesar do apoio de alguns a Flávio, é esperado que os grupos que lideraram a campanha por Lula nas regiões Norte e Nordeste continuem a manter um bom relacionamento com o executivo.

A condução da negociação também envolverá possíveis lideranças no Congresso, com União Brasil e governo dialogando sobre a reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado e os Republicanos apostando na continuidade de Hugo Motta à frente da Câmara dos Deputados.

No terceiro mandato, partidos como PSD, União Brasil e MDB ocuparam três ministérios cada, mesmo sem integrar formalmente a base governista, e as expectativas são de que essa dinâmica possa se repetir.

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