As alterações que podem aumentar o risco de doenças cardíacas em mulheres iniciam antes da menopausa. Durante a perimenopausa, que marca a fase de transição até a última menstruação, o corpo apresenta sinais sutis que indicam um risco elevado, como o acúmulo de gordura abdominal, o agravamento dos níveis de colesterol e um ligeiro aumento da pressão arterial.
Esse tema se torna especialmente relevante no Dia Mundial do Coração, celebrado no dia 29, quando novos estudos sobre doenças cardiovasculares que afetam as mulheres são destacados.
Um posicionamento recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, publicado em 2025, revela que doenças cardiometabólicas em mulheres são frequentemente subdiagnosticadas e recebem tratamento insuficiente. No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, superando até mesmo os cânceres, conforme dados do Ministério da Saúde.
No caso de infarto, os sinais apresentados nas mulheres geralmente diferem da clássica dor no peito que se irradia para o braço. Sintomas como dor no estômago, náuseas, cansaço extremo e sudorese fria costumam ser confundidos com problemas gastrointestinais ou crises de ansiedade. Uma pesquisa da PUC do Paraná, também publicada em 2025, mostrou que mulheres entre 45 e 55 anos apresentavam um risco maior de morte pós-infarto em comparação aos homens da mesma faixa etária.
O risco cardiovascular é normalmente associado à fase que se segue à última menstruação, dado que a menopausa possui uma definição clara. De acordo com especialistas, a menopausa é confirmada após 12 meses sem menstruação e está ligada a uma maior incidência de doenças cardíacas. Contudo, as modificações que contribuem para esse risco se iniciam antes. O estrogênio, hormônio crucial para a regulação dos vasos sanguíneos, distribuição de gordura e metabolismo do colesterol nas mulheres, tem sua produção alterada durante a perimenopausa, afetando o perfil lipídico e provocando ganho de peso, que são fatores de risco cardiovascular.
Alterações nos níveis de colesterol formam placas nas artérias, gerando consequências que podem se manifestar anos depois. Embora as mudanças sejam sutis, como um ganho de 500 a 600 gramas ao ano e um leve aumento na gordura abdominal, elas não são sinais imediatos de doenças cardiovasculares, mas sim alertas para evitar progressões para obesidade e hipertensão.
Durante a perimenopausa, muitos sintomas, como palpitações, ondas de calor e distúrbios do sono, complicam a identificação de problemas cardíacos. Por esse motivo, qualquer sintoma novo e persistente deve ser analisado cuidadosamente e não atribuído automaticamente a alterações hormonais. A transição para a perimenopausa pode não ser claramente reconhecida, com as mudanças no ciclo menstrual ocorrendo geralmente entre os 40 e 45 anos, e a menopausa se estabelecendo em média aos 50 anos.
Nesse período, as mulheres podem enfrentar irritabilidade, mudanças de humor, ondas de calor, sudorese noturna, disturbios no sono, lapsos de memória e diminuição da libido. É comum que elas não consigam descrever suas sensações, frequentemente expressando que não se sentem como antes.
Para cuidar da saúde cardíaca, especialistas recomendam que as mulheres conheçam seus números de saúde, como pressão arterial, níveis de colesterol, glicemia e circunferência abdominal. A prática regular de atividades físicas, uma dieta balanceada, um bom padrão de sono e não fumar são hábitos eficazes na prevenção de doenças cardíacas. Aqueles com histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou menopausa precoce devem informar seus médicos, pois esses antecedentes podem influenciar a avaliação do risco cardiovascular.
A saúde do coração é um processo que se constrói ao longo da vida. Mesmo quem não possui hábitos saudáveis pode iniciar mudanças agora, como reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, optar por gorduras saudáveis e incluir frutas e alimentos ricos em cálcio na dieta. Atividades como musculação, caminhadas rápidas e corridas leves ajudam a estimular a saúde óssea.
À medida que envelhece, o metabolismo tende a desacelerar, e a dieta deve ser ajustada para evitar o acúmulo de calorias, especialmente na região abdominal. Quanto aos exames, não são rotineiros para todas as mulheres na perimenopausa. A orientações para a realização de eletrocardiogramas, ecocardiogramas e testes de estresse dependem da manifestação de sintomas, da avaliação clínica e do cálculo de risco.
Após os 40 anos, a rotina de exames das mulheres deve incluir mamografias anuais, colesterol, glicemia em jejum e avaliação hormonal da tireoide. O risco de disfunção tireoidiana aumenta em torno de 20% nessa idade. Exames de densitometria óssea não são obrigatórios para todas, mas podem ser solicitados em casos específicos.
No que diz respeito à terapia hormonal, especialistas alertam que a prescrição não deve ser feita apenas para a prevenção de infarto ou AVC, e a utilização para sintomas da menopausa deve ser avaliada individualmente. Para sintomas clássicos, não é necessário esperar 12 meses sem menstruação para iniciar o tratamento, uma vez que a reposição hormonal pode ser iniciada na perimenopausa, desde que não haja contraindicações.
Os sinais de alerta para problemas cardíacos são consistentes em todas as fases. Sensações de pressão, aperto ou desconforto no peito, especialmente se persistirem ou ocorrerem com esforço, acompanhadas de falta de ar, suor frio, náuseas, desmaio e dor que irradia para o braço, costas, pescoço ou mandíbula, devem ser imediatamente avaliadas como possíveis problemas cardíacos.
Se surgirem sintomas intensos ou súbitos, é crucial buscar atendimento de emergência.



