quinta-feira, agosto 27, 2026
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Previsão do Chefe: Imetame Define Data para o Primeiro Navio e Traça Perspectivas para o Porto de Aracruz

Etore Cavallieri, o fundador da Imetame, aproveitou a abertura da Cachoeiro Stone Fair na noite de terça-feira (25) para anunciar uma nova expectativa em relação à inauguração do porto de Aracruz. A previsão é de que o primeiro navio chegue ao local até março de 2027, com operações iniciais focadas em carga geral, além da possibilidade de incluir contêineres na sua movimentação.

Durante o evento, Etore também destacou que a declaração transforma uma expectativa ampla em uma meta concreta que poderá ser monitorada pelo mercado. A chegada do primeiro navio representará a transição definitiva da fase de construção para a operação comercial.

O fundador reafirmou a intenção de preparar o terminal para receber embarcações com capacidade para até 24 mil TEUs, entre os maiores porta-contêineres do planeta. No entanto, Ele admitiu que o Espírito Santo ainda não possui volume de carga suficiente para justificar a entrada dessas embarcações neste momento. “Claro que ele não vai vir para cá agora. O Estado não tem carga para isso. Mas o porto vai estar pronto. Daqui a 10 ou 20 anos, vai poder receber esse navio”, comentou.

Na fase inicial das operações, o porto atenderá principalmente navios equipados com guindastes próprios. Esse arranjo permitirá que a movimentação de carga geral comece antes da introdução de equipamentos maiores. Etore afirmou que o porto já estará pronto para receber esses navios e que, a partir de março, poderão começar a movimentação de contêineres.

A conclusão total do terminal de contêineres está programada para meados de 2028. A Imetame está desenvolvendo o projeto em parceria com a Hanseatic Global Terminals, controlada pela Hapag-Lloyd, que adquiriu 50% do empreendimento. O terminal terá 750 metros de cais, profundidade de 17 metros e capacidade para manusear cerca de 1,2 milhão de TEUs por ano, segundo informações divulgadas pela Hapag-Lloyd.

Os delays entre as fases do projeto estão relacionados à fabricação de portêineres, os guindastes grandes responsáveis pela carga e descarga dos contêineres, cuja entrega pode levar de 20 a 24 meses. Até que esses equipamentos cheguem, o porto dependerá de embarcações com seus próprios guindastes.

Para o setor de pedras, a nova infraestrutura poderá reduzir deslocamentos, custos e prazos de transporte. Atualmente, muitas cargas do Espírito Santo precisam buscar terminais fora do estado ou competir por espaço em outras estruturas. Ao encerrar sua fala, Etore fez uma piada endereçada aos empresários do setor: “Podemos marcar a data aqui hoje do churrasco. É um contêiner de carne para todo o setor de rocha e granito”.

No entanto, existem desafios a serem enfrentados antes da chegada do primeiro navio. O porto ainda precisa obter a Licença de Operação (LO), que depende da conclusão das estruturas necessárias e da superação dos trâmites ambientais. Apesar de a previsão anterior sugerir o início da carga geral para o final de 2026, essa visão agora é incerta.

Outro desafio mencionado por Etore é que a capacidade portuária por si só não garante a criação de volume de carga. O Espírito Santo precisará atrair cargas de Minas Gerais, Goiás, Bahia e outras regiões para sustentar rotas comerciais significativas. Isso requer a elaboração de contratos com exportadores, além de investimentos em acessos rodoviários, ferroviários, infraestrutura aduaneira, custos competitivos e frequências adequadas de navios. Sem esse conjunto, o estado terá um porto preparado para grandes embarcações, mas sem a carga necessária para operá-las em grande escala.

Quatro marcos principais indicarão se os planos estão progredindo conforme o esperado: a obtenção da Licença de Operação, a atracação do primeiro navio até março de 2027, o início da movimentação regular de carga geral e a inauguração total do terminal de contêineres prevista para meados de 2028. A infraestrutura representa uma oportunidade significativa para o Espírito Santo, mas o desafio será transformar essa estrutura avançada em efetivas conexões comerciais e contratos para seu funcionamento.

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