Nas recentes eleições, Lucas Polese conquistou 77,8% dos votos do Partido Liberal (PL), enquanto Camila Valadão obteve 86% dos votos da federação Psol-Rede.
As votações em Espírito Santo para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa (Ales) foram históricas. Polese registrou a maior votação já vista para deputado federal no estado, enquanto Valadão fez história ao se tornar a primeira mulher a alcançar a liderança na Assembleia Legislativa como deputada estadual. O desempenho de ambos foi fundamental para os resultados de seus partidos.
Os 419.735 votos obtidos por Polese corresponderam a 77,8% do total de 539.093 votos recebidos pelo PL para a Câmara dos Deputados, o que resultou na conquista de uma segunda vaga para Lucas Stein (também conhecido como Lucas o Federal da Direita), que recebeu 43.973 votos. Apesar de ter potencial para ganhar mais uma cadeira, o terceiro colocado, Neucimar Fraga, teve apenas 15.900 votos, abaixo do mínimo necessário de 20% do quociente eleitoral (QE), fixado em 213.498 votos.
A saída de Gilvan da Federal da disputa abriu espaço para que Polese ampliasse sua votação, considerando as boas expectativas já existentes. Justamente o segundo colocado do PL herdou o número de urna de Gilvan, que continuou a pedir votos para o seu número.
Camila Valadão, por sua vez, alcançou uma vitória que teve um peso significativo: seus 61.501 votos representaram 86% dos 71.478 votos totais da federação Psol-Rede. O Professor Ériton Berçaco, que ficou em segundo lugar na federação, obteve apenas 1.765 votos.
A federação Psol-Rede obteve apenas 52 votos a mais que o quociente eleitoral para a Ales, que era de 71.426 votos, quantidade necessária para garantir pelo menos uma vaga direta, evitando depender da divisão de vagas que sobrariam. Essa situação reflete a estratégia da federação em priorizar a reeleição de Camila.
Adicionalmente, a federação não atingiu a cláusula de desempenho a nível federal, em parte devido à falta de 185 votos no Espírito Santo. Para que os partidos tivessem acesso ao fundo eleitoral e à propaganda gratuita, era necessário obter pelo menos 1,5% da votação para deputado federal em nove estados. Com 31.839 votos, a federação alcançou 1,49% do total no estado, necessitando de 32.024 votos.
O quociente eleitoral é calculado pela divisão do total de votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis. Esse número, excluindo as frações, determina o quociente partidário que define quantas vagas cada partido garante. Se houver cadeiras sobrando, realiza-se uma média a partir da divisão dos votos válidos da sigla pelo número de vagas conquistadas mais um, com a maior média sendo a que conquista as sobras.
PL e UPb na liderança
O Partido Liberal foi o destaque nas eleições proporcionais no Espírito Santo, garantindo oito cadeiras (duas na Câmara e seis na Ales) e totalizando 928.623 votos. Em segundo lugar, a federação União Progressista (UPb – PP + União Brasil) também conquistou oito cadeiras (três na Câmara e cinco na Ales), com um total de 750.791 votos.
Na terceira colocação, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) garantiu cinco cadeiras (duas para deputados federais e três estaduais) com um total de 517.746 votos. Importante ressaltar que apenas os candidatos do PT conseguiram se eleger dentro dessa federação.
O quarto e quinto lugares foram ocupados pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), com 504.797 votos e quatro cadeiras (uma na Câmara e três na Ales), e pelo Podemos, que alcançou 501.820 votos totais, resultando em cinco cadeiras (uma federal e quatro estaduais). Ambas as siglas retornaram resultados abaixo das expectativas que eram consideradas na avaliação do potencial delas.
Por sua vez, os Republicanos, que tiveram sucesso nas disputas majoritárias (com Evair de Melo conquistando o senado e Lorenzo Pazolini quase sendo eleito governador no primeiro turno), apresentaram um desempenho mais modesto nas disputas proporcionais, conquistando três cadeiras (uma federal e duas estaduais) e totalizando 343.691 votos.
Outras siglas que lançaram candidaturas e conquistaram cadeiras apenas na Assembleia Legislativa foram o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com quatro cadeiras e 252.053 votos, e o Agir, que alcançou 144.873 votos e garantiu duas cadeiras.
A federação Psol-Rede totalizou 103.317 votos na Câmara dos Deputados, assegurando a reeleição de Camila Valadão.
Resultados decepcionantes para PSD, PSDB-Cidadania e PDT
Alguns partidos tradicionais enfrentaram resultados aquém do esperado nas eleições deste ano. O Partido Social Democrático (PSD), que investiu todas as suas fichas na candidatura não sucedida de Sergio Meneguelli para o senado, conseguiu apenas 12.273 votos.
A federação entre o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Cidadania também obteve apenas 58.983 votos, todos para a Ales. O Partido Democrático Trabalhista (PDT), que também lançou apenas candidatos a deputado estadual, alcançou 56.204 votos, levando à não reeleição de Fabio Duarte, que recebeu 16.551 votos.


