sábado, setembro 26, 2026
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Anvisa emite alerta sobre venda de “Mounjaro” em pó na internet

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a divulgação de vídeos nas redes sociais que promovem a venda de “tirzepatida em pó”, substância ativa do Mounjaro. Os vídeos instruem os usuários a diluir o produto para administração domiciliar.

Profissionais da saúde enfatizam que a aquisição de versões não regulamentadas desse medicamento pode acarretar diversos riscos à saúde. A endocrinologista Mariana Furieri Guzzo destaca que há o perigo de não se saber se o produto contém a substância anunciada e se a concentração é a correta.

Ela acrescenta que as versões ilegais podem apresentar concentrações imprevisíveis, além de impurezas e contaminantes. A qualidade do princípio ativo pode ser baixa, já que não há supervisão como ocorre com medicamento regularizado.

A questão da origem do produto é especialmente grave, uma vez que a tirzepatida ainda está sob proteção de patente. A endocrinologista Flávia Tessarolo ressalta que, enquanto a patente estiver vigente, não se sabe de onde estão sendo extraídas as fórmulas dessas versões irregulares.

Outro fator de risco envolve a preparação do medicamento em casa. A endocrinologista Camila Pitanga Salim alerta que erros na diluição podem resultar em administração de uma dose inadequada, que pode ser maior ou menor do que o necessário. “Uma sobredosagem pode levar a efeitos adversos graves, enquanto uma dose insuficiente pode não ter os efeitos desejados”, explica.

A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Seccional Espírito Santo, Maria Amélia Julião, reforça que a falta de esterilidade na preparação em ambientes não controlados pode resultar em infecções. Ela destaca que o manuseio inadequado pode facilitar a contaminação por bactérias e fungos, levando a infecções no local da administração, que podem evoluir para quadros mais graves, como sepsis.

Diante disso, a recomendação é desconfiar de ofertas com preços significativamente baixos. O medicamento exige acompanhamento médico rigoroso.

Os riscos associados ao uso de versões irregulares incluem:

– Concentrações diferentes da especificada, com potencial para doses inadequadas.
– Falta de garantia que o produto contenha tirzepatida em qualidade aceitável.
– Presença de impurezas e substâncias não identificadas.
– Contaminação por microorganismos durante a preparação da solução.
– Infecções no local de aplicação, podendo evoluir para septicemia.
– Reações alérgicas que podem ser graves.
– Possíveis erros de dosagem ao diluir e aplicar em casa.
– Maior incidência de efeitos adversos em casos de superdosagem.
– Problemas de armazenamento e transporte que afetam a eficácia do produto.

Recomenda-se que os consumidores evitem comprar produtos divulgados de forma irregular pela internet e que a utilização da tirzepatida ocorra somente sob orientação médica e em estabelecimentos autorizados.

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